terça-feira, 30 de agosto de 2011

~ Berlin zu kennen


Eis que chego a Berlin (meio que acostumei a escrever com esse 'n' no final. Vai ser tenso quando voltar ao Brasil). 10 minutos mais cedo que o previsto. Fiquei naquela tensão torcendo pra mala não ter sido extraviada (já conseguiram a proeza de extraviar de Teresina pra Fortaleza, como eu deveria ficar considerando FOR-LIS-BRU-TXL?).

Guten Nachrichten (boa notícia): não só não foi extraviada como foi uma das primeiras a chegar. Vou então muito feliz em direção a saída quando sou parado por um cara gordo e alto, vestido à paisana próximo a placa 'Goods to declare'. Ele me pergunta "Do you have goods to declare?". Eu respondo "No, no". E ele: "Ok. May I see your bag?". Fiz cara de "Como assim, brother? Já falei que não tô traficando nada". E ele, após ver meu passaporte: "Yo, aduana.".

Antes de abrir a mala ele me perguntou o que tinha dentro. Respondi que tinha roupas, calçados, materiais de higiene pessoal. Ele abriu, conferiu, achou fechos eclair que eu nem sabia que existiam dentro da mala, perguntou o que eu iria fazer em Berlin e me liberou em seguida.

O motorista do transfer já me esperava do lado de fora: um velho, que acima de tudo, tinha um sinal enorme na bochecha que provocaria agonia em qualquer ser vivo. Detalhe: ele não sabia falar inglês. Fui querer, então, ser o garotão alemão e perguntei algumas coisas, tipo, desde quando estava tão frio. De início até que fomos bem. Mas daí comecei a perguntar sobre algumas coisas (se eram perto ou longe) e ele desembestava a falar e eu na melhor cara 'hum, que interessante' sem entender bosta nenhuma. Fiquei tenso já desde então.

No caminho já percebi que Berlin é bem o que eu tinha lido: a cidade (quase) toda é Untergrund (underground). Muito arborizada, ciclistas dividem espaço com automóveis, trens, metrôs e pedestres. Apesar disso, gostaria que o trânsito daqui fosse facilmente replicável. Apesar da velocidade máxima de 50 km/h (a qual todos respeitam), ninguém buzina, todos dão passagem, há vários retornos, enfim. Uma constante em toda a cidade são as pichações e grafitagens pelas construções.



Felizmente, a tensão passou a medida em que eu cheguei em casa (fotos abaixo) e conheci o Herr Faller (Herr = senhor; Faller = sobrenome). Ele é incrivelmente calmo, fala muito pausadamente e é super atencioso. Ele estava sozinho quando eu cheguei. Conversamos um pouco sobre como foi a viagem, ele me mostrou a casa. Disse que no dia seguinte a mulher dele iria me guiar até a escola, enfim.

Eis um negócio bem estranho: escolhi ficar numa residência estudantil porque tinha receio de escolher uma casa de família e chegar num lugar onde tinha uma velha com uma filha maluca e uns gatos que quer ganhar uma grana alugando um quarto. Daí, chego aqui e vejo um Alemão casado com um Cubana negra e três filhas. Vai entender.

Bem, ele me falou que estava hospedando no momento também uma italiana. Pelo que eu tinha entendido, ela iria receber o namorado no dia seguinte, mas aparentemente ele já estava aqui no domingo. Sei que nem no domingo e nem hoje esbarrei com ela por aqui (aparentemente, ela tinha saído com ele já no domingo).

Após tomar um banho, ele me ensinou o caminho que deveria fazer pra chegar até a escola e me levou numa Bahnhof (estação de trem) pra comprar um ticket mensal. Esse foi outro momento complicado porque eu não queria me precipitar: gostaria de saber quanto custava uma passagem única, quanto seria o aluguel de uma bicicleta etc. Mas como já estava lá não podia deixar o cara na merda. Paguei 74 euros pelo tal ticket, que me dá direito a entrar e sair quantas vezes quiser nos ônibus, U-Bahns (metrô) e S-Bahns (trem). Eis outra coisa divina em Berlin: a malha ferroviária. Mas sobre isso eu falo depois.

Voltamos, comi dois pães com queijo e salame (que eles me ofereceram, o que me surpreendeu porque já estava me preparando para ir comer alguma coisa fora), fiquei um tempo na internet e vim dormir.

O dia seguinte, eu conto no próximo capítulo. :)

Cozinha: a geladeira é naquela porta maior de cima do ármário..

Banheiro: maior que meu quarto no Brasil e não tem chuveiro.
Conto mais um pouquinho sobre isso depois.

Quintal: se meus amigos estivessem aqui, faríamos festas míticas nesse espaço.

Sala de estar: quase nunca fico aí, porque... sei lá.

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