segunda-feira, 31 de outubro de 2011

~ Frankfurt, a Eurostadt.

2 horas e 59 euros depois, estava eu chegando de trem a Frankfurt (curiosidade: na Alemanha, existem 2 cidades com esse nome: Frankfurt (Oder) e Frankfurt Am Main. A primeira, até onde eu soube é um interiorzinho fim-de-mundo na divisa com a Polônia; a segunda é o maior centro econômico da Europa, por possuir um dos maiores e mais centrais aeroportos, sediar empresas de diversos segmentos e inúmeros bancos, incluindo o Banco Central Europeu). A expressão 'Am Main' significa algo como 'no Meno'. Main é o nome do rio que passa pela cidade (Meno é o nome em português). Então é como se o nome da cidade fosse Teresina no Parnaíba, Fortaleza no Cocó, Recife no Capibaribe etc.

Continuando com as comparações, FaM pode ser considerada a São Paulo alemã (reservando-se, claro, as proporções - Frankfurt possui apenas cerca de 3 milhões de habitantes). Digo, é uma das cidades que mais recebe turistas no país, mas geralmente, estes vêm a negócios, não podendo ser considerada uma cidade com tantos atrativos turísticos.

Como já tinha almoçado em Nuremberg, parti direto pro hostel que ficava a 5 minutos da Hbf. A grande surpresa pra mim é que ele ficava na Rua Payssandu de Frankfurt. Payssandu é o nome de uma rua do centro de Teresina, que, como qualquer outra rua do centro de uma cidade Brasileira é cheia de lojas e, portanto, vendedores e clientes o dia todo. À noite, ela serve de bordel a céu aberto ou, em outras palavras, 'ponto' de prostituição. Isso mesmo, o hostel ficava numa espécie de Red Light District. De qualquer maneira, o 5 Elements Hostel foi, de longe, o melhor hostel em que eu fiquei, em relação a infra-estrutura, diversão pros hóspedes, proximidade aos hotspots da cidade.

Saí a tarde pra ir conhecer alguns lugares. Passei por uma passarela sobre o tal rio Meno, visitei o Museu da Arquitetura (muito legal! Havia uma exposição temporária sobre Ernst May, um urbanista 'frankfurtense' e uma fixa que mostrava várias maquetes de construções dos diversos períodos/locais históricos (pedra furada, Grécia, Roma, Idade Média até os dias de hoje), vi de perto uma infinidade de arranha-céus (z.B. Deutsche Bank, Banco Central Europeu, Main Tower - subi lá no topo... a cidade é realmente linda! -, Frankfurter Dom, Caricatura Museum (momento legal, em que eu percebi que já consigo entender humor alemão :D)

De noite, voltei ao hostel e fiquei por lá mesmo (não tinha dormido bem na outra noite e o dia tinha sido cansativo). Encontrei com 3 brasileiros: um gaúcho, uma paranaense e um paulista. Todos estavam morando na Irlanda, sendo que o paulista não estava em Dublin, como os outros dois. Conversamos pra caramba, cada um contando das suas experiências pela Europa. O gaúcho e a paranaense iriam no dia seguinte pro Marrocos, passar 2 noites no deserto; o paulista tava indo pra Oktoberfest em Munique (ele caiu na pegadinha alemã e foi parar em Frankfurt (Oder) antes de chegar em FaM).

No dia seguinte, nem consegui sair ainda cansado. Fui direto já encontrar a próxima carona, que me levaria pra Köln, uma das mais lindas e aconchegantes cidades da Alemanha, apesar de ser relativamente grande.

Fotos de Frankfurt em: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.201546733247738.46729.100001772385053&type=1

~ Nürnberg: do Nazismo aos Direitos Humanos.

Seguindo a viagem, parti cedo pra Nürnberg. O cara que me deu carona não parecia com uma pessoa específica, mas sim, com um estereótipo: velho que quer ser charlador em carro velho. Talvez não fique tão claro pra vocês, mas vocês me entenderiam se o tivessem visto.

Desci na Nelson-Mandela-Platz, atrás da Hauptbahnhof. Almocei no Burger King e fui caminhando pro hostel (cerca de uns 10 minutos da estação). Até então, eu nada sabia sobre Nuremberg, a não ser que havia a denominação Altstadt (cidade antiga) pra uma região da cidade, onde ficava o hostel. Depois descobri que essa região era o equivalente a toda a cidade, no início de sua história. Não tenho certeza quanto ao passo-a-passo cronológico, mas é possível que já nessa época a tal cidade antiga era rodeada pelos muros que se mantém até hoje ('se mantém', uma vez que a cidade foi destruída na Segunda Guerra Mundial e o que está lá hoje é fruto de uma reconstrução, segundo os guias, idêntica a original).

Já que já introduzi o contexto histórico, vale destacar que Nuremberg era uma espécie de capital da Alemanha Nazista. Diversas reuniões do Partido Nazi aconteciam lá e um dos maiores fluxos migratórios de judeus (e além fiéis de algumas outras religiões e etnias específicas) partiu de lá. O legal foi que eu descobri isso logo após ser recepcionado por uma menina no melhor estilo Skinhead (ok, talvez ela fosse apenas punk, mas foi impossível não fazer a associação), e eu não possuía qualquer garantia de que lá não era, de forma alguma, um reduto de neonazis... isto é, até então. Após uma lida nos guias, vi que Nuremberg após todas as estupidezes (está certo isso?) tornou-se a Cidade dos Direitos Humanos, tendo até sido eleita por algum instituto cujo nome me foge a memória.

Ao contrário de Stuttgart, Nürnberg me pareceu uma cidade riquíssima em história, a se perceber a partir da infinidade de lugares para se conhecer recomendados pelos guias (além dos que eu vou citar aqui, havia, por exemplo, o Planetário Nicolau Copérnico e o Castelo da Faber-Castell - que só abre no 3º domingo de cada mês). Meu problema com a cidade foi mais circunstancial. O que rolou: cheguei às 13h no hostel. Meu quarto só estaria liberado às 14h. Nesse tempo fiquei na internet (e-mail, facebook etc.). Só após entrar no quarto (do qual eu e nenhum dos demais hóspedes tínhamos a chave, a porta ficava aberta) decidi ir atrás do próximo hostel e da próxima carona. O hostel foi tranquilo, fechei de boa. Mas a carona não rolou nesse momento. Liguei pra uma menina que não me atendeu. Enviei mensagem e nada! Até que achei uma espécie de escritório que faz esse tipo de agendamento também. Era mais caro, mas era mais certo. Depois de várias idas e vindas (literalmente, do hostel pro escritório, do escritório pro hostel, por falta de documentos, dinheiro, telefone etc.), fechei lá tudo certinho. Da última vez que voltei pro hostel deixei meu celular carregando e fui pra cidade. Essa novela terminou já por volta das 16h. Considerando que quase tudo (museus, exposições etc.) fechava às 17h, não pude aproveitar muito da cidade. Tudo o que fiz foi passar na frente de alguns pontos destacados no mapa, tendo um deles nem valido tão a pena: a Messe Nürnberg.

Por algum motivo, na minha mente eu tinha que Messe significava Feira. E (BINGO!) SIGNIFICAVA! Só que não o tipo de feira que eu tava pensando. Messe é o nome que eles dão pra centro de convenções. Cheguei no tal lugar e não vi muito mais do que um prédio enorme no meio do nada e uma galera vestida de terno e gravata. De lá, fui no estádio de Nürnberg (outro que não valeu muito a pena) e em seguida voltei passando pelo Reichsparteigelände, que é onde atualmente estão arquivados diversos documentos do período nazista, vizinho ao lugar onde aconteciam as reuniões. E meu chapa... essa volta deve ter me feito emagrecer uns 2 kg, porque eu caminhei e não foi pouco, viu?

À noite quando chego no hostel, tenho várias ligações não atendidas e uma mensagem. As ligações eram do escritório. O motorista cancelou a carona porque tinha ficado doente. A mensagem era da tal menina pra quem eu tinha ligado dizendo que ainda tinha vagas no carro. Ligo pra ela e já estavam preenchidas. Pense num desespero grande! Não consigo marcar outra carona. No dia seguinte ainda fui lá no ponto de encontro que a menina tinha marcado, mas não encontrei nenhum carro que parecesse estar esperando pessoas pra pegar carona. O jeito foi ir de trem pra Frankfurt. Só destacando: antes disso, ainda fui nos Museus Ferroviário e da Comunicação (este último é sensacional! Trata de todos os tipos de comunicação: escrita, falada, visual, humana, animal etc.). No mais, deixei Nürnberg com uma ótima impressão e com uma vontade de voltar pra conhecer muito mais!